Desde o ano passado não escrevo no blog, a última vez foi em dezembro, quando parei de fumar (e continuo sem fumar). Como escrevo duas vezes por mês para um jornal aqui de Rio Pardo - O Fato, achei uma boa idéia reproduzir algumas destas colunas aqui no blog.
Aí vai a última...
Deficientes de educação
Faz pouco tempo a principal rede de supermercados da nossa cidade criou vagas de estacionamento para deficientes físicos, ato louvável por sinal.
Acontece que tenho observado que estas vagas, por serem próximas à entrada, estão sempre ocupadas.
Fiquei pensando, será que temos em Rio Pardo tantos deficientes físicos assim? Claro que se somarmos todas as possíveis deficiências físicas, como surdez, falta de um membro superior, alguma mutilação, falta de uma unha, o número será bem elevado.
Só que estas vagas de estacionamento são para pessoas com dificuldades de locomoção, como cadeirantes e outros com alguma deficiência nos membros inferiores que limite o movimento normal de caminhar.
Várias vezes, ao ver as pessoas que estacionaram nas vagas descerem dos seus carros, pude ver que eram bem conhecidas e até onde eu sei não possuem nenhuma deficiência de locomoção, talvez tenham alguma dificuldade visual, por não enxergarem as placas bem grandes com o símbolo de um cadeirante.
Estou falando neste assunto, porque há poucos dias ganhou expressão na mídia nacional o fato que ocorreu em Porto Alegre de uma pessoa que foi espancada violentamente por ter chamado a atenção de um motorista que estacionara em vaga de cadeirante sem sê-lo.
Confesso que várias vezes tive o ímpeto de avisar os descuidados, mas me retraí por entender que quem deveria fazer isto é a administração do supermercado. Afinal de contas ali é um estacionamento particular e quem deve zelar por ele são os seus detentores, mas nunca vi ninguém ser alertado por seu erro pelos funcionários do mercado.
Dia destes um comerciante da Andrade Neves, cujo estabelecimento fica na área onde tem estacionamento exclusivo para automóveis e motos, foi alertar um motoqueiro que ele seria multado porque ali era exclusivo para carros e levou a tal da esculachada em altos brados do dito cujo: “o que tu tem a ver com isto? Quer aparecer? Vai te meter com as tuas coisas!”.
Pois é isto, as pessoas no intuito de ajudar ainda tomam uma xingada e aí fica o impasse: ou tu te indigna e retribui o xingão no mesmo nível e talvez tenha que partir para a ignorância ou tu engoles o sapo e vai para casa com aquilo te roendo por dentro e te sentindo um idiota, porque quem tinha a obrigação de coibir aquilo não o fez – no caso, os agentes de trânsito ou a Brigada Militar.
De tudo isto sempre temos que tirar alguma lição: a primeira acho que todos já sabem qual é: para chegarmos ao primeiro mundo em termos de educação, ainda faltam uns mil anos!
A segunda é a seguinte: se fores chamar a atenção de alguém que cometeu ou em vias de cometer uma infração de trânsito, olha primeiro como está o teu seguro de vida ou se o plano de saúde está em dia, de repente será necessário usar um ou outro ou os dois...
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