Pois é rapaziada, após 42 anos de longas e prazerosas baforadas, larguei o pito.
Nestes 15 mil e tantos dias de puro enlevo nicotínico, não tenho como negar, pelo menos na metade deles pensei em parar, principalmente nos últimos anos, quando as campanhas anti-tabagistas se acirraram e nós os fumantes passamos a ser considerados verdadeiros portadores de uma incurável e altamente contagiosa virose.
Primeiro proibiram o fumo nos cinemas, para os que não sabem, era permitido fumar durante as sessões e era bem bom puxar profundas tragadas durante um filme de suspense, daqueles em que o vilão chega por trás da inocente mocinha com afiada adaga para penetrar sua pulsante jugular...
Depois proibiram fumar nos aviões, aí foi um terror porque além de ter que conviver com a emoção e a sensação de morte iminente, esta (a morte) tinha que ser sem aquela gostosa bengala do cigarro bendito. Quer coisa mais charmosa que apagar seu cigarrinho nas revoltas águas do Caribe?
Depois disto em quase todo lugar passou a ser proibido fumar, em alguns países até na rua, a céu aberto não pode pitar, aí já é um comunismo, como dizia a Conceição...
É claro que não parei por causa disto.
Algumas pessoas que me conhecem bem e sabem do meu prazer tabagístico me perguntam se parei por ter levado um cagaço, um coraçonaço, ou coisa do gênero. Não foi nada disto. Parei de fumar sem sentir absolutamente nada, a não ser um leve pigarro que carateriza os fumantes e nada mais. Tanto é que caminho uma hora por dia e corro 15 minutos, o que para um cara de 56, com quase 57 e fumante (inveterado ou invertebrado?), não é nada mau.
Esperar ter um câncer de pulmão, um enfizema ou um beriberi cardiovascular, para só então parar acho que é burrice, pois se tiver tudo isto, então continua a ter pelo menos um prazer - o de dar belas baforadas pensando que aquela pode ser a última...
Se eu tivesse alguma garantia divina que não morreria por fumar, confesso humildemente que fumaria até os cento e poucos. Como o Senhor deve ter coisas mais importantes para se envolver e não me disse nada, nem que sim nem que não, achei melhor não arriscar.
Escrevo no dia em que completei uma semana sem o bendito e não tem sido tão difícil como poderia se imaginar, o chiclete de nicotina ajuda um monte, sinto vontade de fumar e saco de um nicorette 2 mg que custa 35 pila cada 30 chicletinhos (pobre não pode ter esta ajuda).
Tenho um pouco de insônia e um pouco de irritação (vontade de matar sem causa aparente), mas isto vai passar...
Pessoas que fumam e sabem que parei, evitam fumar perto, mas digo que não é isto que dá vontade, o que dá uma gana são aqueles momentos em que eu mais curtia pitar, como durante o mate da madruga, depois do café da manhã, ao tomar um uísquinho, ao montar a cavalo e sair para o campo, ao escrever no computador (deixa eu pegar um nicorette), acho quer mudar a rotina é uma boa estratégia, mas confesso que não mudei nada e vou conseguir...
Acho que escolhi o momento mais adequado, porque estou numa fase da vida sem muitas tensões e isto ajuda um monte. Não dá para imaginar parar quando você está para decidir um grande negócio, ou quando o Grêmio vai decidir a Libertadores (só em 2011), até lá já esqueci o gostinho.
Resolvi escrever sobre isto porque quanto mais pessoas souberem que criei vergonha na cara, mais gente vai ter para me cobrar se um dia tiver uma recaída. Mais um nicorete...
5 comentários:
Mazáááááá. Tava na hora, né, tche? Mas as piores horas são mesmo quando tu tomas um trago. Essas são cruéis. Logo vais sentir a diferença nas tuas corridas e caminhadas. Vai parecer que tens uns 10 anos a menos!
Filhão tá orgulhoso! Bjs!
da-lhe sogrão. netinhos no futuro agradecem! :)
Bueno tinha que ser um dia né? Thiago manda pra Adri, pois acho que não tenho o email dela.
10 anos a menos? isto não vai dar certo...
Adri que o futuro seja ma o meno breve, to louco prá encher um piá de balda...
Que orgulho do me paizinho!!! hehehe
Tiver que rir da lembrança da Conceição...
Beijo!
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