terça-feira, 27 de outubro de 2009

Pois é meus amigos, depois de um ano sem postar nada aqui, eis que me deu vontade de voltar.
O texto abaixo escrevi para um jornal daqui de Rio Pardo e me deu vontade de compartilhá-lo com voces...
BRABO E BURRO
Pois o meu avô paterno, o Seu Osório, tinha algumas tiradas interessantes. Dizia coisas que quando eu era piá ranhento, nem me apercebia do que se tratava ou não fazia a menor idéia do que ele estava dizendo ou queria dizer.
O mais curioso em tudo isto é que, passados muitos anos, volta e meia lembro-me de algumas destas expressões, talvez por associá-las às circunstâncias do momento ou por me dar conta, após tanto tempo, da sua sabedoria e da sua contextualidade.
Uma destas famosas assertivas do Seu Osório me ocorreu um dia em que estava no Sindicato Rural e um associado contou-me de uma passagem, na qual ele tentava negociar um gado com um comprador e dele recebeu uma proposta muito aquém do que imaginava.
Como o vivente é um pouco estourado, ao ouvir a proposta indecorosa, saiu esparramando as garras, xingou até a quinta geração do tal comprador e botou-o para correr e nunca mais voltar. Em resumo ele ficou brabo e burro ao mesmo tempo – perdeu um comprador e o negócio.
E era isto que o meu vô dizia: “olha guri, não se pode ficar brabo e burro ao mesmo tempo, porque não dá certo – ou se perde um amigo ou se perde um negócio ou se comete um desatino. Pode ficar brabo uma vez e burro em outra ocasião, mas nunca os dois juntos.”
Isto ele medisse após tentar tirar uma fechadura de uma porta, cujos parafusos estavam com a fenda gasta e a chave sempre escapando. E eu por ali brincando e ouvindo os impropérios e palavrões que escapavam durante as frustradas tentativas.
De repente ouço uma espécie de urro de revolta do meu “calmo” avô e os sons mudaram, passaram a ser de machado em madeira... A cena era a seguinte: a fechadura teimosa estava sendo tirada com madeira e tudo através do machado do seu Osório. O resultado foi uma porta inutilizada com uma meia lua faltando e um dedo cortado na altura da unha, tudo resultado daquela combinação diabólica da brabeza com a burrice.
Confesso que já tive meus momentos apocalípticos com os dois impulsos macabros ao mesmo tempo. Os resultados nunca foram muito bons...
Outro dia eu volto, talvez daqui um ano ma o meno...

2 comentários:

Thiago disse...

Bah... eu já vi o véio Osório se manifestando algumas vezes, como aquela vez do ancinho que foi perdendo os dentes aos poucos até que Seu Osório baixou em ti e o tal ancinho voou por cima da cerca longe já todo desdentado de bater no chão.

Isso deve passar por todas as gerações. Tive meu momento véio Osório esses dias com um copo de liquidificador. A Adri é testemunha!

Tirar as teias de aranha do blog às vezes é bom!

Bj, véio!

adri disse...

Mazaaah sogrinho!
que beleza!

já viu a dupla que não se formou aqui hein? eu baixinha e invocada e o thiago bisneto do seu Osório! que dupla, que dupla!

e sim, fui testemunha! thiago tem tendencias a ter surtos psicóticos com utensílios domésticos!!!


bjos pra voces